sábado, 9 de abril de 2011


A Igreja de hoje não precisa de "cristãos em tempo parcial", mas sim de cristãos em tempo integral!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Depois da beatificação, Bento XVI e os fiéis poderão venerar restos de João Paulo II

VATICANO, 05 Abr. 11 / 02:31 pm (ACI) Esta manhã o Escritório de Imprensa da Santa Sé apresentou o programa dos três dias da beatificação do Papa João Paulo II, cujo dia central será o domingo 1º de maio no qual Karol Wojtyla será elevado aos altares. Na apresentação, o Vigário do Papa para a diocese de Roma, Cardeal Agostino Vallini, detalhou o programa para os três dias de celebração que começarão no sábado 30 de abril com uma Vigília de Oração no Circo Massimo. A celebração estará dividida em duas partes. A primeira dedicada à lembrança das palavras e os gestos do Papa João Paulo II. Logo em seguida haverá uma solene procissão na que se entronizará a imagem de Maria, Salus Populi Romani, acompanhada por representantes de todas as paróquias e capelanias diocesanas. Durante o ato alguns colaboradores do novo beato, como o Cardeal Stanislaw Dziwisz, que foi seu secretário, e Joaquín Navarro-Valls, ex-diretor do Escritório de Imprensa da Santa Sede farão um breve discurso. Também participará a Irmã Marie Simon-Pierre, cuja milagrosa cura abriu o caminho para a beatificação. Ao final desta primeira parte se cantará o hino “Totus tuus”, composto para o 50º aniversário da ordenação sacerdotal de João Paulo II. A segunda parte do evento se centra na celebração dos Mistérios Luminosos do Santo Rosário introduzidos por João Paulo II. Depois do canto “Abram as portas a Cristo”, do novo beato, o Cardeal Vigário Agostino Vallini fará uma síntese da personalidade espiritual e pastoral do Papa. Após esta intervenção os participantes em conexão direta via satélite com cinco santuários marianos em todo o mundo rezarão o terço. Cada um dos Mistérios estará ligado a uma intenção de João Paulo II meditados nas vigílias simultâneas que serão celebradas em distintos santuários ao redor do mundo. No santuário de Lagniewniki, na Cracóvia (Polônia), a intenção será a juventude; no santuário Kawekamo-Bugando (Tanzânia), a família; no santuário de Nossa Senhora do Líbano – Harissa (Líbano), a evangelização; na basílica de Santa Maria de Guadalupe, da Cidade do México, a esperança e a paz das nações e no Santuário de Fátima, a Igreja. Ao final, Bento XVI em conexão desde o Vaticano, rezará a oração final e repartirá a bênção apostólica a todos os participantes. Essa noite permanecerão abertas para a oração as seguintes igrejas de Roma: Santa Agnese in Agone, na Praça Navona; San Marco al Campidoglio; Santa Anastasia; Santíssimo Nuome di Gesú all’Argentina; Santa Maria in Vallicella; San Giovanni dei Fiorentini; San Andrea della Valle; San Bartolomeo all’Isola. Em 1º de maio, domingo da Divina Misericórdia, na Praça de São Pedro às 10:00 a.m., o Papa Bento XVI presidirá a Missa de Beatificação de João Paulo II, que estará precedida por uma hora de preparação na qual se rezará o Terço da Divina Misericórdia, devoção introduzida por Santa Faustina Kowalska, e muito apreciada pelo Papa João Paulo II e terminará com uma invocação à misericórdia no mundo, com o canto “Jezu ufamTobie”, que quer dizer “Jesus confio em vós”. Seguirá a Santa Missa com os textos do domingo da Oitava de Páscoa. Depois da fórmula de beatificação, quando for descoberta a imagem do saudoso pontífice, será cantado em latim o Hino do Beato. Na segunda-feira 2 de maio o Secretário de estado Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, presidirá às 10:00 a.m. a Missa de Ação de Graças pela Beatificação na Praça de São Pedro. Esta Eucaristia será a primeira celebrada em honra do novo beato. Os textos serão os da Missa do Beato João Paulo II. A celebração será animada pelo Coro da diocese de Roma, com a participação do Coro de Varsóvia e da Orquestra Sinfônica de Wadowice (Polônia). O Pe. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sede, explicou que na sexta-feira 29 de abril pela tarde se transladará a tumba do beato Papa Inocencio XI -que se encontra na Capela São Sebastião da basílica vaticano-, ao altar da Transfiguração, para deixar seu lugar ao corpo de João Paulo II. Essa mesma manhã, o féretro do Pontífice -que não será aberto- transladar-se-á ante a tumba de São Pedro, nas grutas vaticanas. Na manhã do 1º de maio, será levado ante o altar da Confissão da basílica. Terminada a cerimônia de beatificação, o Papa e os cardeais concelebrantes se dirigirão ao altar da Confissão da basílica e rezarão uns instantes ante o corpo do novo beato. A partir dessa tarde, as pessoas que o desejem poderão venerar os restos de João Paulo II

Palavra rezada e vivida

(Dário Pedroso, s.j.) Quaresma é tempo propício a escutar a Palavra, a saboreá-la, a comê-la, a meditá-la. Tempo favorável. Só a Palavra converte. 1º – Palavra que é Pessoa. Já o soubemos: Jesus é a Palavra do Pai. A Palavra é uma Pessoa. Pessoa que nos diviniza, nos sacia, nos converte, nos alimenta, nos transforma, nos quer identificados com Ela, a Palavra que é o Verbo do Pai. O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. É o Filho de Deus e o Filho da Virgem Maria. Palavra que é Vida divina, que fala em palavras humanas os mistérios do amor. Revela-nos o Pai, o Espírito, fala de Si mesmo. Revela o segredo misterioso da Igreja e dos sacramentos. Revela o Reino e com ele o caminho das bem-aventuranças. Revela no amor pascal a síntese de toda a graça: amor eucarístico de Quinta-feira Santa, amor Crucificado de Sexta-Feira Santa, amor Alegre e Ressuscitado de Domingo de Páscoa. Esta Palavra que é uma Pessoa divina, foi até ao extremo do amor. Fez-Se Pão Vivo para ser nosso alimento. Morre para ser fonte de vida e de graça. 2º – Este é meu Filho escutai-O. É algo super importante ir ao Tabor, ao Monte da Transfiguração, e ouvir o Pai dizer-nos “Este é meu Filho, escutai-O”. O Pai quer que escutemos o Filho, que prestemos atenção à sua voz, aos seus ensinamentos, aos seus mandamentos. Escutar a Palavra, que é o Filho, é dom e graça. Escutar o Filho para entrar na comunhão com o Pai e com o Espírito, para entrar na comunhão trinitária. Escutar o Filho para sermos evangelizados por Ele que é a divina Palavra. O Pai não quer, não deseja outra coisa. Precisamos de nos abrir à Palavra, escutá-la, fazê-la vida da nossa vida. Só no silêncio interior a Palavra pode ser acolhida, mastigada, comida, saboreada, fazer-se vida em nós. Só no deserto se escuta bem a Palavra: deserto de coração para acolher e escutar o Filho bem-amado. 3º – Rezar a Palavra. A palavra é para ser rezada e não só ouvida. Rezada significa “ouvi-la de dentro” como ensina o Concílio Vaticano II. Escutá-la com o coração, saboreá-la internamente. É a arte da meditação do texto para que seja “comido”. O Anjo disse ao Profeta: “Toma o livro e come”. Comer o livro é saborear a Palavra e fazê-la vida em nós. Meditar, ir pensando que tem este texto a ver comigo, que me diz o Espírito através dele? Como vou colocar em prática no quotidiano o que está escrito, as interpelações? Que tem a minha vida de mudar para assumir este texto, este versículo, esta atitude de Jesus (exemplos concretos). 4º – Qualidade do terreno. A parábola do Semeador, em Lucas 8, é bem clara ao afirmar que a semente é a Palavra de Deus, mas que o terreno é o coração do homem. Há várias qualidades de terreno: a) duro, pisado, a semente cai e não germina; b) com rochas, a semente cai e começa a germinar mas não tem terra nem humidade e morre; c) a semente cai entre os espinhos: cuidados, riquezas, prazeres da vida, e os espinhos sufocam-na. Mas há terreno nobre e virtuoso que acolhe a semente e dá muito fruto. Importa saber que terreno é o nosso coração. Que rochas há em nós, que espinhos… importa pedir coração nobre e virtuoso. Só assim acolhemos a Palavra e ela se faz vida em nós. Nossas vidas se vão transformando, cristificando, divinizando. 5º – Evangelizar o nosso interior. O nosso ser está por evangelizar. Há uma evangelização “ad intra”, não basta “ad extra”… A nossa inteligência não pensa sempre e em tudo como Jesus… A Palavra vai evangelizando a inteligência para pensarmos como Jesus pensou… para assumir critérios evangélicos. Mas o nosso coração também não ama como Jesus, não ama sempre e a todos… o coração precisa de ser evangelizado. A nossa vontade não quer sempre o que Deus quer… só a Palavra pode evangelizar a nossa vontade, para querer como Jesus… O mesmo deve suceder à nossa afectividade, a nossa liberdade, a nossa língua e modo de falar, os nossos cinco sentidos, etc. Precisamos de ser evangelizados pela Palavra que nos converte e purifica, que muda a nossa vida e nos faz homens e mulheres evangélicos. 6º – Construção sobre a rocha. Outro tema importante, outro ensinamento de Jesus, é a parábola da casa construída sobre a areia ou sobre a rocha. Quem não ouve a Palavra e não a põe em prática é casa construída sobre areia. Vem uma tempestade, um vendaval, vai a areia e cai a casa. Mas quem ouve a Palavra e a coloca em prática é casa construída sobre a rocha, que resiste às tempestades da vida. A Palavra é o rochedo firme sobre o qual construímos nossa vida. Pode suceder uma doença, a morte de um familiar, pode assaltar-nos uma tentação grave, pode bater-nos à porta uma calúnia ou algo mais difícil, que a casa não cai. Está sobre a rocha firme que é a Palavra de Deus. A vida é vivida de outra forma. Tudo se vive segundo a Palavra que é luz para nossos passos, luz que nos encaminha, luz que nos faz viver de um modo novo para sermos casa construída sobre a rocha. O rochedo é Cristo, é a Palavra do Pai

O Mundo à Nossa Volta

O Mundo à Nossa Volta

Fazer uma pausa para estar com Ele

Cláudia Pereira

Estamos em plena Quaresma. Caminhamos rapidamente para a Semana Santa, a Semana maior para os cristãos, que tem o seu ponto alto na celebração do Tríduo Pascal... culminando com a Vigília Pascal, a Festa das festas.

Fomos convidados, durante estes dias que nos preparam para a Páscoa, a dar particular espaço, nas nossas vidas, no nosso dia-a-dia, ao jejum, à esmola e à oração. Será que o temos feito? Já abdicamos, alguma vez, desde Quarta-Feira de Cinzas, de algo que seria supérfluo? Já demos o valor dessa renúncia para aqueles que mais precisam? Temos feito momentos especiais de oração, para nos aproximarmos mais de Deus?

Estes valores e princípios, se cultivados desde tenra idade, são assumidos como algo natural em cada Quaresma. Assim, porque não convidar os mais novos a renunciar, por exemplo, a um doce ou um brinquedo, fazendo-os ver que o valor que aí seria empregue pode ajudar aqueles que pouco ou nada têm? Aqui, a família e a catequese têm um papel preponderante...

Uma das tónicas dominantes do período quaresmal é a oração. Na sua Mensagem para a Quaresma 2011, o Papa Bento XVI diz que ela nos permite «adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que “as suas palavras não passarão” (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele “que ninguém nos poderá tirar” (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida eterna».

Intensificar a oração não implica nem significa mostrarmo-nos aos outros, nem dizer-lhes «vou rezar muito porque estamos na Quaresma». Importa aqui lembrar a mensagem deixada por Jesus aos discípulos: «Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te».

Estes momentos favoráveis de oração quaresmal devem servir de «escola» para o dia-a-dia de cada um. Assim, porque não aproveitar este período para intensificar (ou criar!) o hábito de oração em família?

As próprias comunidades paroquiais intensificam, em cada Quaresma, os momentos de oração, realizando, por exemplo, a via-sacra na paróquia ou promovendo iniciativas que convidam à oração, nomeadamente a itinerância da Bíblia pelos diferentes lares.

Nalgumas localidades, este tempo favorável de oração que é a Quaresma fica marcado pelo Lausperene, com a Exposição do Santíssimo em diferentes igrejas. É um convite, não uma obrigação. Um convite a entrar, ajoelhar, adorar, rezar. Um convite a fazer uma pausa para estar com Ele.

Embora com algumas oscilações de afluência, dada a maior ou menor centralidade dos templos, as igrejas registam nestes dias um movimento diferente do habitual.

Não pensemos que esta é uma atitude de «beatas» e «beatos», mais idosos, que terão os dias menos ocupados. São muitas as pessoas, incluindo gente nova, que aceitam este convite a entrar, ajoelhar, adorar, rezar... este convite a fazer uma pausa para estar com Ele.

Que sensação tão boa a de entrar numa igreja e ver que muitos são os que tiveram a coragem de fazer um intervalo no trabalho, de aproveitar uma deslocação de serviço ao exterior ou um período de folga... para rezar, para estar ali, diante d’Ele, a conversar com um Amigo muito especial, sempre pronto a ouvir.

Nestes dias ouve-se as pessoas a dizer «Vou ao Senhor» ou a procurar saber «Onde está o Senhor exposto». Tradição? Talvez. Viver a Quaresma de forma diferente? Certamente. Desejo de rezar mais? Sim. Querer preparar melhor a Páscoa? Sem dúvida. Vontade de estar mais perto de Deus? Com toda a certeza.

Mais do que as palavras proferidas em voz alta, importa entrar, ajoelhar, adorar, rezar... importa fazer uma pausa para estar com Ele. Que esta Quaresma represente, para cada um, uma pequena mudança

Cerrar fileiras na unidade

Creio não haver dúvidas que existem tensões e dissensões entre os cristãos, não vale a pena “taparmos o Sol com uma peneira”, mas vale a pena, por amor a Jesus Cristo Nosso Senhor, sermos humildes, pormos de lado as nossas vaidades e cheios de amor unirmo-nos perante a avalanche de ataques de que a Igreja e o Santo Padre têm sido alvo há já alguns anos, brevemente celebraremos o sexto aniversário da eleição de Bento XVI. Àqueles que por um motivo ou outro não simpatizam com Bento XVI, tenham por favor presente que estamos a falar do Vigário de Jesus Cristo na terra, rogo-lhes que pensem no superior interesse da nossa fé que deverá ser inabalável em Jesus Cristo Nosso Senhor, e da nossa Igreja e não se esqueçam do exemplar comportamento de humildade do Papa e sobretudo, que não se deixem intoxicar pela bem orquestrada comunicação social que diariamente o tenta denegrir. Há tempos, escrevi que por um lado era bom sinal, e reitero a afirmação de então, dizer mal da Igreja, dos seus valores e do Papa, vende, senão não lhe dariam a projecção que dão, mas há sempre o risco, de os menos informados sobre os métodos de deturpação, se deixarem convencer e para estarem de bem com a “maioria” prevalecente, facilmente cedam e se juntem, ainda que inconscientemente, à maledicência. Também é certo, que muitos que nunca pensaram interessar-se por temas da Igreja, despertem na sua curiosidade e se informem e ao analisarem as diferentes fontes, se indignem com a mentira e dela se aproximem. Somos muitos milhões, tenhamos pois a mesma atitude e coragem dos primeiros cristãos, com humildade, com caridade e amor, proclamemos aos “sete ventos” a nossa fé e não nos deixemos intimidar e arrastar pelo comodismo do silêncio. Que nunca nos pese na consciência «Por isso, não se podem desculpar. Pois, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram nem lhe deram graças, como a Deus é devido. Pelo contrário: tornaram-se vazios nos seus pensamentos e obscureceu-se o seu coração insensato. Afirmando-se como sábios, tornaram-se loucos» (Rom 1, 20-22 SpeDeus

sábado, 2 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Mundo à Nossa Volta

O valor divino do humano (Dário Pedroso, s.j.)


O «tempo comum» da liturgia é um apelo a viver o quotidiano com audácia, com compromisso, com intensidade de vida evangélica, com determinação, com coração, com encanto e alegria, dizendo um «não» vivencial à rotina, à inércia, ao deixar correr, à mediocridade, à apatia, ao stress, ao reboliço, à vida em azáfama e sem sentido. O «tempo comum» é uma oportunidade cristã, um dom de Deus, uma oferta da Igreja a vivermos o quotidiano com fulgor de infinito, com semente de divino, com desassombro, com intimidade com Deus a tal ponto que sejamos «contemplativos na acção». Temos, pois, diante de nós, algo que nos pode ajudar a viver o comum dum modo «não comum», o quotidiano com dimensões «divinas».

A liturgia, mãe e mestra da vida, convida-nos a dar a cada momento do dia a sua densidade, o seu valor. Trata-se da determinação de fazer bem todas as coisas (age quod agis), de aceitar o desafio do aforismo: «faz o que deves e está no que fazes». Faz o que deves, ou seja, o que a vontade de Deus quer neste momento, aquilo que o Senhor permite através dum horário, duma circunstância, duma norma, dum dever de estado, dum compromisso assumido, etc. E está plenamente no que fazes, ou seja, fá-lo com garra, com encanto, com a máxima perfeição, com ousadia cristã que busca a perfeição máxima em tudo o que se realiza. E se é feito com perfeição já tem a marca do divino, já está integrado no projecto cristão de salvação, já tem sabor evangélico, já é construtor da novidade de Deus, em tudo e em todos. Na medida em que a vida não é levada com mediocridade, na medida em que sabemos colocar a perfeição no que fazemos, rezamos, sofremos, etc., estamos a construir a santidade da própria vida, mesmo se o que fazemos parece simples e banal. O desejo de perfeição dá-lhe um sabor evangélico, uma tonalidade de divino, uma dimensão de santidade.

Quantas coisas dizemos, fazemos, sofremos, quantas alegrias e sonhos, quantos planos e projectos, quantos momentos de entusiasmo ou de dúvida, quanta luta e quantas vitórias, quantas tentações e momentos de fragilidade repassam o nosso quotidiano. Importa tomar tudo em «nossas mãos», sobretudo em «nosso coração», e oferecer ao Senhor. Ao jeito da gotita de água que no ofertório se deita no vinho e é diluída, assumida pelo vinho, assim a nossa existência, com o desejo de perfeição, com a audácia de sermos santos, se torna redentora e divina unida a Jesus, o único Redentor. Tudo oferecido para fazer de nós próprios «hóstia vivas». Tudo mergulhado em Cristo Jesus para ser oferta permanente digna do amor do Pai. Tudo mergulhado n’Ele, feito com Ele, feito por Ele, para que o nosso quotidiano tenha valor divino, para que o humano se torne redentor.

O humano, depois da Encarnação do Verbo, tem sempre algo de divino. Podemos dizer que depois desse momento eloquente em que a divindade assumiu a nossa natureza, nada mais é profano na nossa vida, tudo tem o selo divino, pois estamos enxertados em Deus, a Trindade habita-nos, somos templos vivos da sua presença. E se tudo tem o selo divino, tudo deve ter a «solenidade» própria d’Aquele que trazemos em nós como tesouro em vasos de barro. Dar solenidade a cada momento, fazer tudo com a máxima perfeição é dar valor divino ao humano, que pode, em certas circunstâncias, parecer-nos pobre, rotineiro, sem riqueza, sem densidade. Mas tem-na, cabe-nos a nós descobri-la e vivê-la. Cada acção, cada trabalho, cada momento, cada segundo é partilha da divindade que está em nós, da graça que possuímos, do Deus que nos invade e que faz tenda no nosso interior.

Dar valor divino ao humano é aceitar o desafio da fé que nos ensina que somos templos da Trindade, que Deus está «escondido» no mais profundo de nós próprios, que quer agir em nós e connosco.

Dar valor divino ao humano é assumir com audácia e consciência cristã que, como baptizados, somos redentores com Cristo Redentor e que, unidos a Ele, nada se perde do tecido da nossa vida quotidiana, da riqueza da nossa acção.

Dar valor divino ao humano é ter os olhos da alma bem abertos para descobrir as centelhas do divino que proliferam em cada pessoa, em cada planta, em cada beleza da natureza que Deus criou por amor.

Dar valor divino ao humano é saber morrer a cada instante àquilo que em nós é «homem velho», que é mistério de pecado e de iniquidade, que é semente de mal, para nos deixarmos revestir de Cristo e viver a sua graça.

Dar valor divino ao humano parte da convicção, nascida da fé, de que o nosso sofrimento, as mil e umas circunstâncias difíceis da vida são um verdadeiro tesouro, se mergulhados em Cristo, se assumidos com audácia evangélica.

Dar valor divino ao humano, colocando a máxima perfeição em tudo o que fazemos, dizemos, rezamos, pois é obra feita para o Senhor, realizada em união com Ele, que merece sempre o melhor, o mais santo, o mais perfeito.

Dar valor divino ao humano, vivendo as nossas alegrias e tempos de lazer, não como fáceis contentamentos, mas como parcelas vivas d’Aquele que é a felicidade suprema, a alegria sem limites, o Senhor vivo e Ressuscitado.

Não desbaratemos a vida, não nos deixemos conduzir pela inércia ou pela rotina, não deixemos que a vida tome conta de nós, que o stress nos invada o quotidiano. Dêmos, com determinação e audácia, a solenidade que cada momento merece. Vivamos unidos Àquele que é a Vida verdadeira e que dá sentido o tudo o que vivemos. Saibamos colocar intensidade interior, fulgor espiritual, tensão evangélica em tudo o que, ao longo do dia, nos é dado viver. Alegres na esperança, vivamos a felicidade que comporta cada momento presente, pois é a única riqueza que possuímos. Coloquemos o passado na misericórdia divina, e o futuro, entreguemo-lo à sua providência. E cada momento não volta, não se repete. Não percamos essa riqueza. Aproveitemos esse tesouro.