quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O DOM DAS LÁGRIMAS

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Vacilas por ternura Deus omnipotente 
da pedra fonte da água viva rompeste
a um povo sedento
retira da nossa dureza a compunção das lágrimas
longo pranto por nossos pecados concede
pois vendo-nos assim te compadeces
e obtemos remissão”

(in O Dom das Lágrimas: orações da antiga liturgia cristã, tradução de Joaquim F. Carvalho, Lisboa 2002:as orações transcritas ao longo do texto são retiradas desta obra)

Talvez nos venha à memória o episódio de José, emGénesis 37-50: a venda de José como escravo pelos seus irmãos, a sua ida para o Egito, o modo como adquire a confiança do Faraó e desempenha uma função similar à de um primeiro-ministro. José converte-se, paradoxalmente, no salvador da sua família e do seu povo: quando a fome grassa no país de Jacob, este envia os filhos a comprar trigo ao Egito, encontrando-se estes, sem o reconhecerem, com José. E José chora, por não ser reconhecido.

Mais tarde, já depois de os irmãos trazerem Jacob para o Egito, José dá-se a conhecer e chora: acabou de perdoar aos seus irmãos a traição ocorrida anos antes, pois reconhece que foi graças a essa traição que o povo se libertou da fome. Tal narrativa será comum ao longo de todo o texto bíblico: não que Deus queira ou provoque o sofrimento, mas as experiências de sofrimento, desolação e angústia podem converter-se em episódios de Salvação. A Páscoa de Jesus será disso o Sinal pleno.

As lágrimas têm um lugar fundamental na nossa vida: um lugar que a sociedade ocidental tende a esconder, a guardar por detrás dos óculos escuros, dos aposentos privados ou da escuridão da noite. É muito difícil termos a sorte de ter um amigo ao nosso lado num momento de choro.

Mas o choro, seja pelo sofrimento, pelo desespero ou pela angústia, constitui um primeiro passo de libertação. José chora no momento em que se liberta do segredo e da culpa provocados pela sua venda como escravo. A sua ferida recebe, nas lágrimas, um primeiro bálsamo terapêutico. Chorar é dar um lugar ao sofrimento, é colocá-lo diante de nós, é dar-lhe um rosto: ele deixa de ser parte de nós, torna-se uma realidade que enfrentamos; tal pode ocorrer por exemplo no diálogo com uma pessoa próxima ou habilitada, num pedido de perdão ou, ao invés, num perdoar a outro.

Mas chorar pode ser também uma expressão de gratidão, de louvor e reconhecimento pela imensa fragilidade e, ao mesmo tempo, fortaleza que o bem possui, em nós e no mundo que nos envolve. Sim, apesar de tudo, a nossa vida é sobretudo fruto da Graça: antes de amarmos fomos amados, antes de perdoarmos fomos perdoados. Sim, nem tudo depende de nós, nem sempre temos de ser perfeitos, nem sempre somos fortes: graças a Deus.

A liturgia cristã tem, no património, orações belíssimas a pedir e a agradecer o dom das lágrimas. Orações que, durante a Idade Média, eram pronunciadas na celebração da Eucaristia ou em outros momentos litúrgicos. Tais orações seriam retiradas dos rituais litúrgicos com a reforma promovida pelo Concílio Vaticano II.

Ó Deus que preferes a compaixão
por aqueles que esperam em ti
e não a ira
concede-nos chorar longamente males que fizemos
de modo que mereçamos
tua consolação como uma graça”

Talvez a Quaresma represente precisamente isto: um tempo de descoberta pessoal de todas as opressões e angústias que carregamos, em nós e naqueles que pertencem à nossa vida. De um perdão, pedido e concedido, restaurador, libertador, terapêutico. Não, a face dos cristãos não é a face da tristeza, do remorso e da acusação: a Quaresma, como todo o ano litúrgico, é um tempo permeado pela Páscoa. Só a força, paradoxalmente suave e frágil, da Páscoa poderá, dentro de nós, fazer irromper um rosto de libertação, de cura e de paz. Que esta Quaresma, com as suas águas baptismais e penitenciais, nos ajude neste caminho.

Dá-me Senhor a mim pecador a confissão
em meu coração te seja agradável
produzir inefáveis gemidos
que alcancem teus ouvidos

Dá-me a intenção
acolhe inundando-a toda de bondade
e te deleite o pedido humilde
digno te pareça entrar em minha alma
como seu contínuo amor’
Dá-me Senhor as lágrimas de todo o afecto
e os vínculos internos dos pecados se dissolvam”

Rui Pedro Vasconcelos

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Em peregrinação... sempre!: A sabedoria cristã

Em peregrinação... sempre!: A sabedoria cristã: Ontem celebrámos um dos mais sábios santos do catolicismo, doutor da Igreja e padroeiro dos estudantes e professores de teologia. A sua...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Visita de Nossa Senhora


Na preparação do centenário das aparições de Fátima, a Diocese de Lisboa vai ter a visita da Imagem de Nossa Senhora.
Passará também pela nossa Vigararia. Nossa Senhora quer abençoar-nos com o Seu amor,vamos também nós dedicar-lhe um pouco do nosso tempo para colaborar com Ela neste projecto de amor.
Brevemente  publicarei o programa da visita 

Audiência Geral (arquivo)

Na Audiência Geral desta quarta-feira, Francisco iniciou um ciclo de catequeses sobre a misericórdia

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 13 de janeiro, o Papa Francisco iniciou um ciclo de catequeses sobre a misericórdia. Apresentamos a íntegra da catequese:
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje começamos as catequeses sobre misericórdia segundo a perspectiva bíblica, de modo a aprender a misericórdia ouvindo aquilo que o próprio Deus nos ensina com a sua Palavra. Comecemos pelo Antigo Testamento, que nos prepara e nos conduz à revelação plena de Jesus Cristo, no qual em modo realizado se revela a misericórdia do Pai.
Na Sagrada Escritura, o Senhor é apresentado como “Deus misericordioso”. É esse o seu nome, através do qual Ele nos revela, por assim dizer, a sua face e o seu coração. Ele mesmo, como narra o Livro do êxodo, revelando-se a Moisés, se auto-define assim: “O Senhor, Deus misericordioso e piedoso, lento para a ira e rico de amor e de fidelidade” (34, 6). Também em outros textos encontramos essa fórmula, com algumas variantes, mas sempre a insistência é colocada sobre a misericórdia e sobre o amor de Deus que nunca se cansa de perdoar (cfr Jo 4, 2; Gl 2, 13; Sal 86, 15; 103, 8; 145, 8; Ne 9, 17). Vejamos juntos, uma por uma, estas palavras da Sagrada Escritura que nos falam de Deus.
O Senhor é “misericordioso”: esta palavra evoca uma atitude de ternura como aquela de uma mãe para com o filho. De fato, o termo hebraico usado pela Bíblia faz pensar nas vísceras ou também no ventre materno. Por isso, a imagem que sugere é aquela de um Deus que se comove e se amolece por nós como uma mãe quando toma nos braços o seu filho, desejosa somente de amar, proteger, ajudar, pronta a doar tudo, também a sim mesma. Essa é a imagem que esse termo sugere. Um amor, portanto, que se pode definir em bom sentido “visceral”.
Depois está escrito que o Senhor é “piedoso”, no sentido de que faz graça, tem compaixão e, na sua grandeza, se inclina sobre quem é mais frágil e pobre, sempre pronto a acolher, a compreender, a perdoar. É como o pai da parábola reportada pelo Evangelho de Lucas (cfr Lc 15, 11-32): um pai que não se fecha no ressentimento pelo abandono do filho menor, mas, ao contrário, continua a esperá-lo – gerou-o – e depois corre ao seu encontro e o abraça, não lhe deixa nem mesmo terminar a sua confissão – como se lhe cobrisse a boca – tão grande é o amor e a alegria por tê-lo reencontrado; e depois vai também chamar o filho mais velho, que está irritado e não quer fazer festa, o filho que permaneceu sempre em casa, mas vivendo como um servo mais que como um filho, e justamente sobre ele o pai se inclina, convida-o a entrar, procura abrir o seu coração ao amor, para que ninguém fique excluído da festa da misericórdia. A misericórdia é uma festa!
Deste Deus misericordioso é dito também que é “lento à ira”, literalmente, “longo de respiro”, isso é, com a respiração ampla de paciência e de capacidade de suportar. Deus sabe esperar, os seus tempos não são aqueles impacientes dos homens; Ele é como o sábio agricultor que sabe esperar, dá tempo para a semente boa crescer, apesar das ervas daninhas (cfr Mt 13, 24-30).
E, por fim, o Senhor se proclama “grande no amor e na fidelidade”. Como é bela essa definição de Deus! Aqui está tudo. Porque Deus é grande e poderoso, mas esta grandeza e poder se desdobram em nos amar, nós assim tão pequenos, tão incapazes. A palavra “amor” aqui utilizada indica o afeto, a graça, a bondade. Não é o amor da telenovela…É amor que dá o primeiro passo, que não depende dos méritos humanos, mas de uma imensa gratuidade. É a solicitude divina que nada pode parar, nem mesmo o pecado, porque sabe ir além do pecado, vencer o mal e perdoá-lo.
Uma “fidelidade” sem limites: eis a última palavra da revelação de Deus a Moisés. A fidelidade de Deus nunca falha, porque o Senhor é o Guardião, como diz o Salmo, não dorme, mas vigia continuamente sobre nós para nos levar à vida:
“Não deixará vacilar os teus pés,
não adormecerá o teu guardião.
Não se adormecerá, não pegará no sono
o guardião de Israel.
[…]
O Senhor te protegerá de todo mal:
ele protegerá a tua vida.
O Senhor te protegerá quando saíres e quando entrares,
agora e para sempre” (121, 3-4. 7-8).
E esse Deus misericordioso é fiel na sua misericórdia e São Paulo diz uma coisa bonita: se tu não lhe é fiel, Ele permanecerá fiel, porque não pode renegar a si mesmo. A fidelidade na misericórdia é justamente o ser de Deus. E por isso Deus é totalmente e sempre confiável. Uma presença sólida e estável. É essa a certeza da nossa fé. E então, neste Jubileu da Misericórdia, confiemo-nos totalmente a Ele e experimentemos a alegria de sermos amados por esse “Deus misericordioso e piedoso, lento à ira e grande no amor e na fidelidade”.
(Fonte: Canção Nova)

terça-feira, 9 de junho de 2015

Rezar com o Papa

Depois de algum tempo sem colocar nada neste Blogue pensei: Dia do Coração de Jesus!!!não posso deixar  de me interpelar interiormente e, desafiar a que o façam também.
Também peço que rezemos para que em nós desperte esta vontade de viver a vontade de Deus,de rezar,e de construir a paz 


ORAÇÃO
Pai de bondade,
o teu Filho Jesus, no início da sua vida terrena, sofreu a perseguição dos poderosos e viveu exilado, com a sua família, no Egipto.
A sede de poder de Herodes negou-Lhe a estabilidade na sua terra, um presente de paz. Ainda hoje, tantos dos teus filhos vivem fora das suas terras e das suas casas, vítimas da violência e da falta de condições de paz e segurança.
Peço-Te que o coração daqueles que decidem o destino dos povos seja tocado pela tua bondade, que quer o melhor para cada um dos teus Filhos. Que vejam em cada homem um irmão.
Peço-Te também que os jovens se encontrem com o teu Filho Jesus e sintam o desejo de Lhe consagrar totalmente as suas vidas. 
Pai Nosso; Avé Maria; Glória…


DESAFIOS PARA ESTE MÊS: 
- Informar-me das situações de imigrantes e refugiados e procurar ajudar nas suas necessidades, na medida do possível.
- Mostrar atitudes de acolhimento para com os estrangeiros no meu país.
- Rezar pelas vocações de consagração dos mais jovens.

domingo, 21 de setembro de 2014

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Reunião de Grupo


Um Mundo Sem Coração
António Valério, s.j.
Continuamos a percorrer, desta forma adaptada aos grupos do Apostolado da Oração, o itinerário proposto na dinâmica da Recriação, que tem como nome «O Caminho do Coração». Este percurso levará as pessoas interessadas em aprofundar a espiritualidade do A.O. a descobrir quais os fundamentos espirituais desta proposta.
Começámos por tomar consciência que, primeiro que tudo, temos, da parte de Deus, a iniciativa em nos dar o seu amor, em comunicar connosco, em falar de muitos modos. Mesmo quando estamos distraídos, quando a nossa fragilidade e o nosso pecado parecem afastar-nos d'Ele, sabemos, pela fé, que Deus vem ao nosso coração e nos dá aquilo que mais precisamos em cada momento.
Tal como o nosso coração vive inquieto e necessitado, enquanto não repousar em Deus, assim também o mundo em que vivemos. De facto, assistimos diariamente a tantas situações em que notamos que o projecto de Deus para a sua criação está longe de ser uma realidade. A fome, as guerras, a injustiça, a exploração dos mais pobres pelos mais poderosos, a economia que destrói as pessoas e a própria natureza. Tudo isto deve tocar o nosso coração e fazer-nos sensíveis aos sofrimentos dos irmãos, em especial aqueles que são vítimas. O Papa Francisco, em Lampedusa, falou da «globalização da indiferença», isto é, viver como se estas realidades não nos tocassem. Teremos que adquirir uma outra sensibilidade, que não nos deixe ficar fechados no nosso conforto, mas nos leve, através da oração e da acção, a sermos instrumentos da proximidade de Deus em todas estas situações. Devemos pedir continuamente a Deus que nos faça exigentes connosco próprios, que não nos deixemos ficar parados quando, ao nosso lado, alguém está a sofrer.
Proposta de reflexão pessoal
«Desperta, Senhor, porque dormes? Desperta e não nos rejeites para sempre! Porque escondes a tua face e Te esqueces da nossa miséria e tribulação? A nossa alma está prostrada no pó, e o nosso corpo, colado à terra. Levanta-te! Vem em nosso auxílio; salva-nos, pela tua bondade!» [Salmo 44 (43)].
- Hoje tantas pessoas poderiam estar a rezar as palavras deste salmo. Também na minha vida terei tido momentos em que as poderia ter dito. Que proximidade tenho a estas pessoas? O que poderei fazer por elas? Dedicar algum tempo pessoal à oração e reflexão sobre estas perguntas.
ESQUEMA DA REUNIÃO DE GRUPO
Nota: Para avançarmos como grupo neste caminho da Recriação do Apostolado da Oração, é importante poder adaptar aquilo que se fazia anteriormente a esta nova proposta. O objectivo destes encontros mensais das pessoas que seguem o A.O. em grupo é ajudar a que se possa entrar num registo de oração, partilha e conversa sobre modos concretos de ir respondendo aos desafios das várias etapas do Caminho do Coração e aos desafios que o Santo Padre nos coloca nas suas Intenções de oração. Fica esta proposta de esquema, um pouco mais desenvolvida.
Oração inicial – Oração de Oferecimento
1ª Parte: O Caminho do Coração
O responsável da reunião poderá ler a reflexão sobre a etapa do Caminho do Coração, contextualizando o percurso que estamos a seguir.
Tempo de reflexão pessoal e partilha, a partir das perguntas indicadas acima.
2ª Parte: A Intenção do Papa para Maio
O responsável da reunião poderá fazer uma breve apresentação da Intenção do Santo Padre, por exemplo, a partir do artigo sobre a Intenção.
3ª Parte: Os grupos do A.O. são grupos de oração e acção
Para além da oração pelas Intenções e pelos desafios apontados nesta etapa do Caminho do Coração, o grupo pode conversar sobre aquilo que, no concreto da sua vida, na sua comunidade, poderá fazer ou propor para responder a estes apelos, por exemplo:
– Quais são as situações de injustiça e sofrimento que encontramos na nossa comunidade? O que podemos fazer, como grupo do A.O., para estar mais próximos destas situações?
– Os meios de comunicação social devem estar ao serviço da verdade e da paz, como pede o Santo Padre na Intenção deste mês. Que propostas podemos fazer para que a comunidade em que estamos inseridos possa estar atenta a isto? Organizar tempos de oração, horas santas, ter esta Intenção presente na Primeira Sexta-Feira...
4ª Parte: Assuntos vários da vida do grupo