quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ter esperança significa ter uma âncora na margem do Além

Durante a homilia, em Santa Marta, Papa Francisco adverte contra as falsas certezas do "clericalismo" e das "nossas regras"
Por Luca Marcolivio
ROMA, 29 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Nada de clericalismo, comodismo e nem mesmo um otimismo genérico: a esperança cristã é algo maior. Durante a missa celebrada esta manhã em Santa Marta, Papa Francisco volta a mais um de seus pontos fortes. A esperança, explicou o Pontífice, é antes de tudo uma "ardente expectativa" em direção à revelação do Filho de Deus.
Na trilha de São Paulo aprendemos que a esperança "nunca desilude", mas, ao mesmo tempo, não é "fácil de entender ", acrescentou o Papa. E continuamos a cair no equivoco de que esperança é sinônimo de otimismo.
Falar de esperança não significa simplesmente "olhar para as coisas com bom ânimo, e continuar em frente" ou ter uma "atitude positiva diante das coisas". A esperança é, antes de tudo, “a mais humilde das três virtudes, porque está escondida na vida". Enquanto a fé "vemos" e "sentimos" e a caridade "se faz”, a esperança é "uma virtude arriscada", mas "não é uma ilusão".
A esperança é, sobretudo, estar “na tensão” para a "revelação do Filho de Deus" e para "a alegria que enche a nossa boca com sorrisos". Os primeiros cristãos tomaram a âncora como um símbolo de esperança, "uma âncora na margem” além da vida.
E nós, cristãos, onde estamos ancorados? Podemos estar ancorados "na margem do oceano", ou num "lago artificial que nós construímos, com as nossas regras, os nossos comportamentos, os nossos horários, os nossos clericalismos, as nossas atitudes eclesiásticas e não eclesiais". 
Para São Paulo, no entanto, o ícone de esperança é o nascimento. A vida é uma contínua expectativa e a esperança está na dinâmica de "dar a vida”. E, como a "primazia do Espírito" não se vê, o Espírito "trabalha" como o grão de mostarda do Evangelho, muito pequeno, mas "cheio de vida" e de "força" para crescer até se tornar uma árvore.
Papa Francisco destacou os critérios reais para a vida cristã: "Uma coisa é viver na esperança, porque na esperança somos salvos, e outra coisa é viver como bons cristãos, nada mais". Uma coisa é estar “ancorado na margem Além", outra coisa é permanecer "estacionado na lagoa artificial".
É importante, nesse sentido, olhar para o exemplo da Virgem Maria que, desde o momento da sua maternidade, muda de atitude, e canta um hino de louvor a Deus. A esperança, portanto, é também esta mudança de atitude: "somos nós, mas não somos nós; somos nós, olhando lá, ancorados lá

sábado, 26 de outubro de 2013

Com(o) os outros…




Lc 18, 11 Meu Deus eu te dou graças por não ser como os outros homens"
Em matéria de julgamentos, a experiência mostra que é preciso muita humildade (que tem a ver com a verdade e, por isso mesmo, precisa ser procurada!). Por um lado, há o riso de exagerar as qualidades daquilo que é dos outros: “a galinha da vizinha é melhor que a minha”, “o que vem de fora é que é bom”, ou até se elogiam “os maridos da outras” como bem cantado foi por Miguel Araújo. Por outro, há o perigo (de que o fariseu deste evangelho é exemplo) de exagerar virtudes próprias, construíndo auréolas brilhantes, espalhando imagem e “glamour” salpicada de água benta, para se colocar em pedestais, bem acima dos outros, num mundo à parte. E quando toca a misturar a tentação de julgar os outros com a presunção de “defender Deus e a santa religião” o equívoco pode ser ainda maior.
Grande escândalo o de Jesus, em apresentar como modelos da vida da graça as prostitutas, os publicanos, os samaritanos e até as crianças! Que exemplos de ordem e de lei podemos apresentar aos mais novos? Como respeitarão um Deus que parece não castigar os infratores nem recompensar os cumpridores (sabe Deus o esforço de “não ser como os outros”!)? Esta surpresa do Pai que Jesus revela nunca se esgotará para nós. Porque não é a “rama”, aquilo que somos exteriormente, que importa. O que é mesmo importante é o que somos por dentro, é o fundo de nós mesmos onde olhamos Deus face a face ou nos olhamos simplesmente ao espelho. É aí que pode haver encontro que liberta e salva ou auto-justificação que nos fecha ainda mais numa redoma. Na parábola do fariseu e do publicano, mais do que os actos bons ou menos bons, religiosos ou não, o que importa é o interior de cada um. O fariseu veio apresentar os seus créditos e esperar a recompensa, tratou Deus como um patrão e ficou na mesma; o publicano veio de mãos vazias, tratou Deus como alguém que se ama, pediu perdão, e regressou com caminhos novos para percorrer.
Quando Deus se revela mais salvador do que castigador o medo é vencido pela esperança, e a aparência pela verdade. Ficam no desemprego os especialistas em julgar a parte pelo todo, e os “diáconos Remédios” da moralidade (que pena ter ficado associado a esta genial caricatura um grau do sacramento da Ordem tão belo e cujo nome significa “servidor”). Jesus não teve problemas em ser identificado com os “outros”, “Nazareno”, e até chamado “comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores” (Lc 7, 34). Porque Ele é o “Deus connosco” e nada do que somos O escandaliza. Jesus sabe bem que, no fundo, somos filhos amados de Deus. E tudo o que impede essa descoberta é que é importante fazer desaparecer!
P. Vítor Gonçalves

Ter a coragem de chamar os pecados pelo seu nome perante o confessor

Homilia desta manhã na Missa celebrada pelo Papa Francisco na Casa de Santa Marta
Por Redacao
ROMA, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Ter a coragem de chamar os pecados pelo seu nome perante o confessor. Esta a ideia principal da homilia desta manhã na Missa celebrada pelo Papa Francisco na Casa de Santa Marta que foi inteiramente dedicada ao Sacramento da Reconciliação. Segundo o Santo Padre, para muitos adultos confessar os pecados perante um sacerdote é um esforço insustentável que pode transformar um momento de verdade num exercício de ficção. O Papa Francisco comentou a Carta de S. Paulo aos Romanos em que o Apóstolo admite publicamente perante toda a comunidade que na “sua carne não habita o bem” e ainda admitiu ser um “escravo” que não faz o bem que quer, mas cumpre o mal que não quer. O Papa diz-nos que esta é a luta dos cristãos:
“E esta é a luta dos cristãos. É a nossa luta de todos os dias. E nós nem sempre temos a coragem de falar como fala Paulo sobre esta luta. Sempre tentamos uma via de justificação: ‘Mas sim, somos todos pecadores. Dizemos assim, não é? Isto dizêmo-lo dramaticamente: é a nossa luta. E se nós não reconhecermos isto nunca poderemos ter o perdão de Deus.”
“Alguns dizem: ‘Ah, eu confesso-me com Deus!. Mas, é fácil, é como confessar por email, não é? Deus está lá longe, eu digo as coisas e não há um face a face, não há um olho no olho. Paulo confessa as suas debilidades diretamente aos irmãos, face a face. Há ainda outros que dizem: eu vou confessar-me; mas confessam-se de coisas tão etéreas, tanto no ar que não são concretas. E isso é a mesma coisa que não o fazer. Confessar os nossos pecados não é como ir ao psiquiatra, ou ir para uma sala de tortura: é dizer ao Senhor; eu sou pecador, mas dizê-lo através do irmão, para que seja concreto.”
O cristão deve lidar com o seu pecado de uma forma concreta, honesta e ter a capacidade de se envergonhar perante Deus, pedindo perdão e reconciliando-se confessando os seus pecados. E, segundo o Papa Francisco, o melhor mesmo é imitarmos as crianças:
“ Os pequenos têm aquela sabedoria: quando uma criança vem confessar-se nunca diz coisas genéricas. ‘Mas Padre eu fiz isto à minha tia, eu disse aquela palavra!’ São concretos. Têm aquela simplicidade da verdade. E nós temos sempre a tendência de escondermos a realidade e as nossas misérias. Mas, há uma coisa bela: quando confessamos os nossos pecados, como estamos na presença de Deus, sentimos sempre vergonha. Envergonharmo-nos perante Deus é uma graça. Recordemos Pedro quando depois do milagre de Jesus no Lago diz: ‘Senhor afasta-te de mim que sou pecador’. Envergonha-se do seu pecado perante a santidade de Jesus Cristo.” (Red. Rádio Vaticano / Red. ZENIT T.S.)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Levar a sério Jesus Cristo. Não podemos ser cristãos pela metade


Em Santa Marta, o Papa alerta para a atitude do digo que sou cristão, mas vivo como pagão " e exorta a levar adiante a santificação realizada por Cristo em nós com obras de justiça
Por Salvatore Cernuzio
ROMA, 24 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Além da Igreja e da Cúria, se existe uma "reforma" que o Papa Francisco está implementando é a da consciência do povo de Deus, alertando, através das homilias diárias em Santa Marta, sobre as tentações e clichês com os quais o cristão corre o risco de se afastar de Cristo.
Também na missa celebrada hoje, no Vaticano, o Santo Padre foi peremptório: "Não é possível ser cristão de meio caminho". Há um antes e um depois de Jesus, ou seja, um momento inicial, sujo pelo pecado e pela injustiça, e depois, a "recriação" operada por Jesus. E nós, enquanto batizados, devemos "levar a sério" a estrada traçada por Cristo com as gotas de seu sangue, e leva-la adiante com obras de santidade.
São Paulo, na Carta aos Romanos, usa essa lógica do "antes e depois" de Jesus, para explicar o mistério da nossa redenção. "Nós fomos refeitos em Cristo!" -disse Francisco-. "O que Cristo fez por nós é uma recriação: o sangue de Cristo nos recriou". Se antes "toda a nossa vida, nosso corpo, nossa alma, nossos hábitos estavam na estrada do pecado, da iniquidade, após esta recriação devemos fazer um esforço de caminhar na estrada da justiça, da santificação".
No momento em que recebemos o Batismo -disse o Papa- "nossos pais em nosso nome fizeram um Ato de fé: "Creio em Jesus Cristo, que nos perdoou os pecados". Esta fé, portanto, devemos "levar adiante com o nosso modo de vida", realizando "obras para a santificação” que renovam “a primeira santificação que todos nós recebemos no Batismo".
"Realmente nós somos fracos e, muitas vezes, cometemos pecados, imperfeições” –e observou o Santo Padre- "este é o caminho da santificação?". Depende. "Se você se acostuma: 'Minha vida é um pouco assim, mas eu acredito em Jesus Cristo, mas vivo como eu quero; isso não te santifica, e não está bem! É uma contradição!" -advertiu o Papa-. Ao contrário, “se você disser: Eu sou mesmo um pecador, eu sou fraco e vai dizer ao Senhor: "Mas Senhor, o Senhor tem a força, dá-me a fé! O Senhor pode curar-me!" E, no Sacramento da Reconciliação se deixa curar, até mesmo nossas imperfeições servem neste caminho de santificação”.
O verdadeiro problema - comentou Bergoglio - é que precisamos "levar a sério" o caminho para a santidade que Cristo nos indicou. A primeira maneira é fazer obras de justiça: nem milagres, nem atos heroicos, mas "obras simples" como "adorar a Deus" e "ajudar os outros". Ou seja, as obras que “Jesus fez: obras de justiça, obras de recriação". "Quando damos comida a quem tem fome" -acrescentou o Papa- "recriamos nele a esperança". Se, ao invés, "aceitamos a fé e depois não a vivemos, somos cristãos apenas na memória”.
"Sem esta consciência do antes e depois da qual Paulo nos fala, nosso cristianismo não serve para ninguém!" -afirmou o Santo Padre-. Corre-se o risco de desviar do caminho de santidade para o atalho da hipocrisia, do “me digo cristão, mas vivo como pagão". Desta forma, “nos tornamos cristãos de meio caminho”, cristãos “mornos" que não levam a sério o fato de que "somos santos, justificados, santificados pelo sangue de Cristo”.
O Papa insistiu: "Devemos deixar tudo o que nos afasta de Jesus Cristo e refazer tudo do início: Tudo é novidade em Cristo!”. Não é impossível – encoraja o Papa- "é possível fazer": fez São Paulo e tantos outros santos, até mesmo aqueles anônimos que vivem o cristianismo seriamente".
Francisco concluiu sua homilia com uma pergunta: "Queremos viver o cristianismo seriamente? Queremos levar adiante esta recriação?". Se assim for –exortou- “peçamos a São Paulo que nos dê a graça de viver seriamente como cristãos, de acreditar que fomos realmente santificados pelo sangue de Jesus Cristo”

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Francisco incentiva o diálogo com os fiéis na praça de São Pedro


Francisco incentiva o diálogo com os fiéis na praça de São Pedro
Por Rocio Lancho García
ROMA, 23 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Eram quase 10h da manhã quando o santo padre chegou à praça no papamóvel. Desde as primeiras horas, ônibus de peregrinos já estacionavam nos arredores do Vaticano e os peregrinos ocupavam os lugares para tentar saudar o santo padre. Mesmo no fim de outubro, o tempo em Roma ainda permite audiências ao ar livre, sem a necessidade de transferi-las para a Sala Paulo VI, onde o espaço é bem mais limitado. Na manhã de hoje, cerca de 100.000 pessoas estiveram presentes na audiência geral.
Ao ritmo de tambores e em meio aos balões que coloriam a Praça de São Pedro, Francisco percorreu as “ruas” improvisadas entre a multidão e saudou os fiéis vindos de todo o mundo para escutar a sua catequese. Hoje, o papa propôs uma reflexão sobre a Virgem Maria como “modelo da Igreja na ordem da fé, da caridade e da união perfeita com Cristo”.
Durante o trajeto, o bispo de Roma desceu do papamóvel algumas vezes. Ele conversou durante alguns minutos com uma senhora em cadeira de rodas, a quem abraçou e deu a bênção, além de, com muita ternura, lhe colocar um chapéu. Um pouco mais adiante, um jovem também em cadeira de rodas pôde intercambiar outras palavras com Francisco.
Durante a catequese, o santo padre fez perguntas em várias ocasiões aos fiéis presentes na praça e os incentivou com gestos a responder em voz alta e com força.
“Na catequese de hoje”, disse ele, “e seguindo o concílio Vaticano II, quero refletir sobre Maria como modelo da 'Igreja na ordem da fé, da caridade e da união perfeita com Cristo'. Ela é modelo de fé não só porque, como judia, esperava o redentor, e, com seu sim, aderiu ao projeto de Deus, mas porque, desde aquele momento da vida, ela se centrou em Jesus”.
“Ela se centra em Jesus na cotidianidade de uma mulher humilde, que, no entanto, vive imersa no mistério. O seu sim, já perfeito desde o início, cresce até a cruz, em que a sua maternidade abraça todos. E é modelo de caridade, como vemos na Visitação, porque ela não apenas ajuda a prima, como também leva até ela o Cristo, a perfeita alegria que vem do Espírito e um amor oblativo”.
“Maria é modelo também de união com Cristo, seja em suas tarefas cotidianas, seja no caminho da cruz, até se unir a Ele no martírio do coração. E agora vamos nos perguntar: como é que a figura de Maria nos interpela? Apenas de longe? Recorremos a ela somente na hora da provação? Somos capazes, como ela, de amar na entrega total? Estamos unidos a Jesus, seguindo o exemplo dela, em uma relação constante, ou só nos lembramos dele na hora da necessidade?".
Ao finalizar as despedidas em diversos idiomas, o santo padre continuou saudando as pessoas, entre elas os bispos presentes, com quem intercambiou afetuosos abraços. Depois, desceu a rampa e se aproximou dos doentes, dos recém-casados e das demais pessoas que estavam nas fileiras mais próximas

A Igreja olha para a Virgem Mãe de Deus como sua figura e modelo na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo. Como filha de Israel, Maria espera e crê com todo o coração na redenção do seu povo. A sua fé, porém, recebe uma luz nova quando o anjo Lhe anuncia: serás Tu a Mãe do Redentor. N’Ela tem cumprimento a fé de Israel e, neste sentido, Maria é o modelo da fé da Igreja, que toda se concentra em Jesus. Na verdade, a principal ajuda que Igreja é enviada a levar aos homens é Cristo e o seu Evangelho: ela não se anuncia a si mesma, mas o amor de Cristo, que renova o mundo. A Igreja aprende isto, olhando para o amor de Maria: na visita à sua prima Isabel, mais do que a ajuda das suas mãos, o que faz saltar e transbordar de alegria é Jesus que Ela leva no seu seio. Por fim, Maria é modelo de união com Cristo, vivendo imersa no mistério de Deus feito homem, como sua primeira e perfeita discípula, meditando tudo no seu coração à luz do Espírito Santo para compreender e pôr em prática toda a vontade de Deus. 


O Papa Francisco saudou, em italiano, os peregrinos lusófonos, saudação proposta depois em português por Mons. Ferreira da Costa:

Amados peregrinos de língua portuguesa, dirijo uma cordial saudação a todos, particularmente aos grupos brasileiros de Belo Horizonte, Braço do Norte e Jundiaí. Este mês de Outubro encoraja-nos a perseverar na reza diária do terço, possivelmente em família, para que se reflicta também na Igreja doméstica o modelo de Maria. O segredo da sua paz e confiança estava nesta certeza: «A Deus, nada é impossível». Desça, pois, sobre vós e vossas famílias a Bênção do Senhor.

“Deus está preso numa cela com os fracos”


 Praça de São Pedro foi pequena para as 85 mil pessoas que pediram bilhetes para a audiência geral desta quarta-feira, em Roma. 

Antes de dar início à sua catequese semanal, o Papa Francisco fez questão de ir até às bordas da multidão para saudar os que mal conseguiam entrar na praça, pondo em prática, naquele instante, o seu apelo constante de ir às “periferias”. 

Numa palavra dirigida de forma especial aos muitos capelães prisionais que se encontravam na Praça, o Papa referiu a proximidade de Jesus aos reclusos: “Nenhuma cela é tão isolada que possa excluir o amor de Deus”, disse. “Também Deus está preso, numa cela com os fracos”, insistiu. 

Aos fiéis presentes esta manhã em Roma, e a todos os que acompanhavam a audiência, um pouco por todo o mundo, o Papa voltou a explicar que a missão da Igreja não passa só, nem em primeiro lugar, pelo auxílio social: “A Igreja não é uma loja, a Igreja não é uma agência humanitária, a Igreja não é uma ONG, a Igreja é enviada a levar a todos Cristo e o seu Evangelho é este o centro da Igreja, levar Jesus”. 

Depois o Papa perguntou aos fiéis se o amor de Jesus que levam aos seus próximos é tão diluído que, embora lhe chamemos vinho, sabe a água. "E nós, que somos a Igreja, qual é o amor que levamos aos outros? É o amor de Jesus, que partilha, que perdoa, que acompanha, ou é um amor muito diluído? Quando se diluí demasiado o vinho, sabe a água: é assim o nosso amor?" 

No final da audiência geral, como de costume, o Papa saudou pessoalmente os muitos bispos que estiveram presentes. A dada altura um bispo católico de rito oriental retirou o seu “engolpion”, uma medalha com um ícone, frequentemente de Nossa Senhora, que todos os bispos orientais utilizam, da mesma forma que os bispos do ocidente usam uma cruz peitoral, e colocou-a à volta do pescoço do Papa. Francisco sorriu e, sem o retirar, manteve-o enquanto cumprimentou os restantes bispos.