sexta-feira, 30 de março de 2012

quinta-feira, 29 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

Cardeal Patriarca antecipa a 5ª Catequese Quaresmal

S. José, obtém-nos o silêncio

S. José, obtém-nos o silêncio Quando as ferramentas são guardadas no seu lugar e o trabalho do dia termina, Quando do Carmelo ao Jordão, Israel adormece no trigo e na noite, Como antigamente quando ele era jovem e ficava muito escuro para ler, José conversa com Deus com um grande suspiro. Ele preferiu a Sabedoria e é ela que lhe é trazida para a desposar. 
Ele é silencioso como a terra à hora do orvalho, Ele está na abundância e na noite, ele está bem na alegria, ele está bem na verdade Maria está na sua posse, e ele a rodeia de todos os lados.
 Não foi num só dia que aprendeu a nunca mais estar só Uma mulher conquistou cada parcela do seu coração agora prudente e paternal Está de novo no Paraíso com Eva! 
Este rosto de que todos os homens precisam, volta-se com amor e submissão para José. 
 Já não é a antiga prece e já não é a antiga espera depois de que ele sente subitamente um braço sem ódio, o apoio deste ser profundo e inocente. 
Já não é a fé nua na noite, é o amor que explica e opera. 
José está com Maria e Maria está com o Pai. 
 E nós também, para que Deus finalmente seja permitido Suas obras ultrapassam a nossa razão, Para que a sua luz não se apague por outras luzes, E as suas palavras pelo nosso ruído, 
Para que cesse o homem E para que venha o vosso reino,
 E se cumpra a vossa vontade,
 Para que reencontremos a origem com profundas delícias,
 Para que o mar se acalme e Maria comece, Ela que tem a melhor parte, 
E que do antigo Israel abate a resistência, 
José, Patriarca interior, obtém-nos o silêncio
 Paul Claudel (1868-1955)

sábado, 17 de março de 2012

4ª Catequese Quaresmal

domingo, 11 de março de 2012

Patriarca de Lisboa antecipa a 3ª Catequese Quaresmal dirigida aos Agent...

À procura do melhor...


 A ânsia da busca do melhor faz parte da natureza humana. Porém, não significa que, nessa procura, o alcancemos. Nos últimos tempos tivemos a prova disso. Buscamos e buscamos muito, com fasquia alta. Mas afinal, o que parecia ser o melhor para nós, em muitos casos foi o pior, ou pelo menos o menos bom! Por quê este resultado? Talvez tenhamos sido enganados, tanto naquilo que correspondia ao melhor que devíamos buscar, como ao caminho a seguir para o atingir. De facto, parece que houve uma confusão generalizada acerca do que realmente seria o melhor para a satisfação do ser humano. Culpa de quem? Engano dos promotores das ofertas para nossa satisfação? Ingenuidade nossa?... Pelo tipo de sociedade e de cultura que nos caracteriza, parece que fomos dominados pela nossa ignorância e pela de muitos mais, e pela ganância de alguns! Trocaram-nos as voltas: em vez de nos guiarem para a procura das coisas melhores para a nossa realização como pessoas humanas, quase nos iam fazendo regressar à “selva”, despertando em nós interesses semelhantes aos dos animais, que promovem o gosto do domínio traumatizante de uns sobre os outros. Vejamos: levaram-nos à busca da melhor comida e da melhor bebida; do melhor no vestir e no divertir; do melhor nos divertimentos e nos prazeres do corpo. Ao procurar o melhor no sexo, ele ganhou privilégios tais que produziu uma nova escravatura. Foi pior que na selva! E veio a realidade: quando o poder de compra do melhor é dirigido em exclusividade aos prazeres materiais, chegamos ao fim, ou seja, deparamo-nos com a realidade de que nada disso é o melhor. Na verdade, foi a busca de tudo isso que nos trouxe a desilusão: ficamos cheios de vazio interior! Que fazer, então? Mudar de rumo, acordar para a realidade: parar um pouco e reflectir acerca da validade das ofertas que nos fizeram, e das nossas reais necessidades, para retomarmos o caminho certo das buscas do que realmente necessitamos. Afinal, quem sou? Quais as minhas reais e profundas aspirações? Na resposta, apresentar-se-á logo o amor em primeiro lugar. Quanto eu preciso muito mais do amor do que de mero alimento material! O amor, esse que se pretendeu substituir pelo sexo à vontade, não perdoa tal barbaridade. E, do fundo de mim mesmo, o amor reclama o seu lugar no meu coração, que, entretanto, se encheu de egoísmo, de ódio, de solidão, que resultou em agressividade na família, na escola, no trabalho e que conduziu à exploração de uns pelos outros. O amor total é compreensível a todos os cristãos: é uma Pessoa - paradigma e fonte do amor que clama lugar na vida de cada um de nós, e na sociedade dos homens. “Deus é Amor”, diz S. João (1 Jo 4, 16). E, se lermos o 1º capítulo do livro do Génesis - “Deus criou o homem (e mulher) à Sua imagem e semelhança” (Gen 1, 27) - concluímos então que, se Deus é amor, nós somos amor. Deste modo, o Amor será a nossa primeira busca. Mas, o amor semelhante a Deus… de cuja semelhança teremos de nos aproximar. Encontraremos aí, então, o critério para as nossas buscas das coisas boas: tudo aquilo que nos aproxima de Deus, da semelhança com Ele! E se Deus é Espírito, então temos o conselho certo de S. Paulo: “Buscai as coisas do Alto… as espirituais (Col 3, 1). Este novo direccionamento das nossas buscas trará de volta o amor que alimenta a vida na sua realidade profunda e essencial, porque reconstruirá os laços de amor entre as pessoas, reconstruirá a família, retirará os filhos da orfandade, que os atira para a rua, libertar-nos-á da violência e dos medos e doenças psicológicas a que estamos submetidos. Esta nova prioridade de buscas iluminará a orientação das outras: da busca do alimento, do vestir e do lazer, na medida do nosso possível e enquanto concorra para a verdadeira realização da pessoa humana, inclusive na consciência da obrigação da partilha com os que menos têm. A Quaresma, Tempo litúrgico em que estamos, é bom momento para repensarmos a nossa vida e a organizarmos em torno do essencial: a busca do amor. Daí virá luz para o melhor que devemos buscar, numa dialética de inter-ajuda de uns com os outros.
 Hercília Pinto