sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Em peregrinação... sempre!: A sabedoria cristã
Em peregrinação... sempre!: A sabedoria cristã: Ontem celebrámos um dos mais sábios santos do catolicismo, doutor da Igreja e padroeiro dos estudantes e professores de teologia. A sua...
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Visita de Nossa Senhora

Na preparação do centenário das aparições de Fátima, a Diocese de Lisboa vai ter a visita da Imagem de Nossa Senhora.
Passará também pela nossa Vigararia. Nossa Senhora quer abençoar-nos com o Seu amor,vamos também nós dedicar-lhe um pouco do nosso tempo para colaborar com Ela neste projecto de amor.
Brevemente publicarei o programa da visita
Na Audiência Geral desta quarta-feira, Francisco iniciou um ciclo de catequeses sobre a misericórdia

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 13 de janeiro, o Papa Francisco iniciou um ciclo de catequeses sobre a misericórdia. Apresentamos a íntegra da catequese:
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje começamos as catequeses sobre misericórdia segundo a perspectiva bíblica, de modo a aprender a misericórdia ouvindo aquilo que o próprio Deus nos ensina com a sua Palavra. Comecemos pelo Antigo Testamento, que nos prepara e nos conduz à revelação plena de Jesus Cristo, no qual em modo realizado se revela a misericórdia do Pai.
Na Sagrada Escritura, o Senhor é apresentado como “Deus misericordioso”. É esse o seu nome, através do qual Ele nos revela, por assim dizer, a sua face e o seu coração. Ele mesmo, como narra o Livro do êxodo, revelando-se a Moisés, se auto-define assim: “O Senhor, Deus misericordioso e piedoso, lento para a ira e rico de amor e de fidelidade” (34, 6). Também em outros textos encontramos essa fórmula, com algumas variantes, mas sempre a insistência é colocada sobre a misericórdia e sobre o amor de Deus que nunca se cansa de perdoar (cfr Jo 4, 2; Gl 2, 13; Sal 86, 15; 103, 8; 145, 8; Ne 9, 17). Vejamos juntos, uma por uma, estas palavras da Sagrada Escritura que nos falam de Deus.
O Senhor é “misericordioso”: esta palavra evoca uma atitude de ternura como aquela de uma mãe para com o filho. De fato, o termo hebraico usado pela Bíblia faz pensar nas vísceras ou também no ventre materno. Por isso, a imagem que sugere é aquela de um Deus que se comove e se amolece por nós como uma mãe quando toma nos braços o seu filho, desejosa somente de amar, proteger, ajudar, pronta a doar tudo, também a sim mesma. Essa é a imagem que esse termo sugere. Um amor, portanto, que se pode definir em bom sentido “visceral”.
Depois está escrito que o Senhor é “piedoso”, no sentido de que faz graça, tem compaixão e, na sua grandeza, se inclina sobre quem é mais frágil e pobre, sempre pronto a acolher, a compreender, a perdoar. É como o pai da parábola reportada pelo Evangelho de Lucas (cfr Lc 15, 11-32): um pai que não se fecha no ressentimento pelo abandono do filho menor, mas, ao contrário, continua a esperá-lo – gerou-o – e depois corre ao seu encontro e o abraça, não lhe deixa nem mesmo terminar a sua confissão – como se lhe cobrisse a boca – tão grande é o amor e a alegria por tê-lo reencontrado; e depois vai também chamar o filho mais velho, que está irritado e não quer fazer festa, o filho que permaneceu sempre em casa, mas vivendo como um servo mais que como um filho, e justamente sobre ele o pai se inclina, convida-o a entrar, procura abrir o seu coração ao amor, para que ninguém fique excluído da festa da misericórdia. A misericórdia é uma festa!
Deste Deus misericordioso é dito também que é “lento à ira”, literalmente, “longo de respiro”, isso é, com a respiração ampla de paciência e de capacidade de suportar. Deus sabe esperar, os seus tempos não são aqueles impacientes dos homens; Ele é como o sábio agricultor que sabe esperar, dá tempo para a semente boa crescer, apesar das ervas daninhas (cfr Mt 13, 24-30).
E, por fim, o Senhor se proclama “grande no amor e na fidelidade”. Como é bela essa definição de Deus! Aqui está tudo. Porque Deus é grande e poderoso, mas esta grandeza e poder se desdobram em nos amar, nós assim tão pequenos, tão incapazes. A palavra “amor” aqui utilizada indica o afeto, a graça, a bondade. Não é o amor da telenovela…É amor que dá o primeiro passo, que não depende dos méritos humanos, mas de uma imensa gratuidade. É a solicitude divina que nada pode parar, nem mesmo o pecado, porque sabe ir além do pecado, vencer o mal e perdoá-lo.
Uma “fidelidade” sem limites: eis a última palavra da revelação de Deus a Moisés. A fidelidade de Deus nunca falha, porque o Senhor é o Guardião, como diz o Salmo, não dorme, mas vigia continuamente sobre nós para nos levar à vida:
“Não deixará vacilar os teus pés,
não adormecerá o teu guardião.
Não se adormecerá, não pegará no sono
o guardião de Israel.
[…]
O Senhor te protegerá de todo mal:
ele protegerá a tua vida.
O Senhor te protegerá quando saíres e quando entrares,
agora e para sempre” (121, 3-4. 7-8).
não adormecerá o teu guardião.
Não se adormecerá, não pegará no sono
o guardião de Israel.
[…]
O Senhor te protegerá de todo mal:
ele protegerá a tua vida.
O Senhor te protegerá quando saíres e quando entrares,
agora e para sempre” (121, 3-4. 7-8).
E esse Deus misericordioso é fiel na sua misericórdia e São Paulo diz uma coisa bonita: se tu não lhe é fiel, Ele permanecerá fiel, porque não pode renegar a si mesmo. A fidelidade na misericórdia é justamente o ser de Deus. E por isso Deus é totalmente e sempre confiável. Uma presença sólida e estável. É essa a certeza da nossa fé. E então, neste Jubileu da Misericórdia, confiemo-nos totalmente a Ele e experimentemos a alegria de sermos amados por esse “Deus misericordioso e piedoso, lento à ira e grande no amor e na fidelidade”.
(Fonte: Canção Nova)
terça-feira, 9 de junho de 2015
Rezar com o Papa
Depois de algum tempo sem colocar nada neste Blogue pensei: Dia do Coração de Jesus!!!não posso deixar de me interpelar interiormente e, desafiar a que o façam também.
Também peço que rezemos para que em nós desperte esta vontade de viver a vontade de Deus,de rezar,e de construir a paz
ORAÇÃO
Pai de bondade,
o teu Filho Jesus, no início da sua vida terrena, sofreu a perseguição dos poderosos e viveu exilado, com a sua família, no Egipto.
A sede de poder de Herodes negou-Lhe a estabilidade na sua terra, um presente de paz. Ainda hoje, tantos dos teus filhos vivem fora das suas terras e das suas casas, vítimas da violência e da falta de condições de paz e segurança.
Peço-Te que o coração daqueles que decidem o destino dos povos seja tocado pela tua bondade, que quer o melhor para cada um dos teus Filhos. Que vejam em cada homem um irmão.
Peço-Te também que os jovens se encontrem com o teu Filho Jesus e sintam o desejo de Lhe consagrar totalmente as suas vidas.
o teu Filho Jesus, no início da sua vida terrena, sofreu a perseguição dos poderosos e viveu exilado, com a sua família, no Egipto.
A sede de poder de Herodes negou-Lhe a estabilidade na sua terra, um presente de paz. Ainda hoje, tantos dos teus filhos vivem fora das suas terras e das suas casas, vítimas da violência e da falta de condições de paz e segurança.
Peço-Te que o coração daqueles que decidem o destino dos povos seja tocado pela tua bondade, que quer o melhor para cada um dos teus Filhos. Que vejam em cada homem um irmão.
Peço-Te também que os jovens se encontrem com o teu Filho Jesus e sintam o desejo de Lhe consagrar totalmente as suas vidas.
Pai Nosso; Avé Maria; Glória…
DESAFIOS PARA ESTE MÊS:
- Informar-me das situações de imigrantes e refugiados e procurar ajudar nas suas necessidades, na medida do possível.
- Mostrar atitudes de acolhimento para com os estrangeiros no meu país.
- Rezar pelas vocações de consagração dos mais jovens.
domingo, 21 de setembro de 2014
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Reunião de Grupo
Um Mundo Sem Coração
António Valério, s.j.
Continuamos a percorrer, desta forma adaptada aos grupos do Apostolado da Oração, o itinerário proposto na dinâmica da Recriação, que tem como nome «O Caminho do Coração». Este percurso levará as pessoas interessadas em aprofundar a espiritualidade do A.O. a descobrir quais os fundamentos espirituais desta proposta.
Começámos por tomar consciência que, primeiro que tudo, temos, da parte de Deus, a iniciativa em nos dar o seu amor, em comunicar connosco, em falar de muitos modos. Mesmo quando estamos distraídos, quando a nossa fragilidade e o nosso pecado parecem afastar-nos d'Ele, sabemos, pela fé, que Deus vem ao nosso coração e nos dá aquilo que mais precisamos em cada momento.
Tal como o nosso coração vive inquieto e necessitado, enquanto não repousar em Deus, assim também o mundo em que vivemos. De facto, assistimos diariamente a tantas situações em que notamos que o projecto de Deus para a sua criação está longe de ser uma realidade. A fome, as guerras, a injustiça, a exploração dos mais pobres pelos mais poderosos, a economia que destrói as pessoas e a própria natureza. Tudo isto deve tocar o nosso coração e fazer-nos sensíveis aos sofrimentos dos irmãos, em especial aqueles que são vítimas. O Papa Francisco, em Lampedusa, falou da «globalização da indiferença», isto é, viver como se estas realidades não nos tocassem. Teremos que adquirir uma outra sensibilidade, que não nos deixe ficar fechados no nosso conforto, mas nos leve, através da oração e da acção, a sermos instrumentos da proximidade de Deus em todas estas situações. Devemos pedir continuamente a Deus que nos faça exigentes connosco próprios, que não nos deixemos ficar parados quando, ao nosso lado, alguém está a sofrer.
Proposta de reflexão pessoal
«Desperta, Senhor, porque dormes? Desperta e não nos rejeites para sempre! Porque escondes a tua face e Te esqueces da nossa miséria e tribulação? A nossa alma está prostrada no pó, e o nosso corpo, colado à terra. Levanta-te! Vem em nosso auxílio; salva-nos, pela tua bondade!» [Salmo 44 (43)].
- Hoje tantas pessoas poderiam estar a rezar as palavras deste salmo. Também na minha vida terei tido momentos em que as poderia ter dito. Que proximidade tenho a estas pessoas? O que poderei fazer por elas? Dedicar algum tempo pessoal à oração e reflexão sobre estas perguntas.
ESQUEMA DA REUNIÃO DE GRUPO
Nota: Para avançarmos como grupo neste caminho da Recriação do Apostolado da Oração, é importante poder adaptar aquilo que se fazia anteriormente a esta nova proposta. O objectivo destes encontros mensais das pessoas que seguem o A.O. em grupo é ajudar a que se possa entrar num registo de oração, partilha e conversa sobre modos concretos de ir respondendo aos desafios das várias etapas do Caminho do Coração e aos desafios que o Santo Padre nos coloca nas suas Intenções de oração. Fica esta proposta de esquema, um pouco mais desenvolvida.
Oração inicial – Oração de Oferecimento
1ª Parte: O Caminho do Coração
O responsável da reunião poderá ler a reflexão sobre a etapa do Caminho do Coração, contextualizando o percurso que estamos a seguir.
Tempo de reflexão pessoal e partilha, a partir das perguntas indicadas acima.
2ª Parte: A Intenção do Papa para Maio
O responsável da reunião poderá fazer uma breve apresentação da Intenção do Santo Padre, por exemplo, a partir do artigo sobre a Intenção.
3ª Parte: Os grupos do A.O. são grupos de oração e acção
Para além da oração pelas Intenções e pelos desafios apontados nesta etapa do Caminho do Coração, o grupo pode conversar sobre aquilo que, no concreto da sua vida, na sua comunidade, poderá fazer ou propor para responder a estes apelos, por exemplo:
– Quais são as situações de injustiça e sofrimento que encontramos na nossa comunidade? O que podemos fazer, como grupo do A.O., para estar mais próximos destas situações?
– Os meios de comunicação social devem estar ao serviço da verdade e da paz, como pede o Santo Padre na Intenção deste mês. Que propostas podemos fazer para que a comunidade em que estamos inseridos possa estar atenta a isto? Organizar tempos de oração, horas santas, ter esta Intenção presente na Primeira Sexta-Feira...
4ª Parte: Assuntos vários da vida do grupo
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
25 frases do Papa na exortação Evangelii Gaudium
Confira abaixo uma selecção de 25 passagens da Exortação ApostólicaEvangelii Gaudium, publicada pelo Papa Francisco hoje:
-- O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem.
-- Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma semPáscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados.
-- Posso dizer que as alegrias mais belas e espontâneas, que vi ao longo da minha vida, são as alegrias de pessoas muito pobres que têm pouco a que se agarrar.
-- Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da acção evangelizadora. Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?
-- Penso, aliás, que não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo. Não convém que o Papa substitua os episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que sobressaem nos seus territórios. Neste sentido, sinto a necessidade de proceder a uma salutar «descentralização».
-- Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Os evangelizadores contraem assim o «cheiro de ovelha», e estas escutam a sua voz.
-- Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo actual que à auto-preservação. A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de «saída» e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade.
-- Dado que sou chamado a viver aquilo que peço aos outros, devo pensar também numa conversão do papado. Compete-me, como Bispo de Roma, permanecer aberto às sugestões tendentes a um exercício do meu ministério que o torne mais fiel ao significado que Jesus Cristo pretendeu dar-lhe e às necessidades actuais da evangelização.
-- No seu constante discernimento, a Igreja pode chegar também a reconhecer costumes próprios não directamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns muito radicados no curso da história, que hoje já não são interpretados da mesma maneira e cuja mensagem habitualmente não é percebida de modo adequado. Podem até ser belos, mas agora não prestam o mesmo serviço à transmissão do Evangelho. Não tenhamos medo de os rever! Da mesma forma, há normas ou preceitos eclesiais que podem ter sido muito eficazes noutras épocas, mas já não têm a mesma força educativa como canais de vida.
-- Aos sacerdotes, lembro que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor que nos incentiva a praticar o bem possível. Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode ser mais agradável a Deus do que a vida externamente correcta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar sérias dificuldades.
-- A Igreja «em saída» é uma Igreja com as portas abertas. Sair em direcção aos outros para chegar às periferias humanas não significa correr pelo mundo sem direcção nem sentido. Muitas vezes é melhor diminuir o ritmo, pôr de parte a ansiedade para olhar nos olhos e escutar, ou renunciar às urgências para acompanhar quem ficou caído à beira do caminho. Às vezes, é como o pai do filho pródigo, que continua com as portas abertas para, quando este voltar, poder entrar sem dificuldade.
-- Se a Igreja inteira assume este dinamismo missionário, há-de chegar a todos, sem excepção. Mas, a quem deveria privilegiar? Quando se lê o Evangelho, encontramos uma orientação muito clara: não tanto aos amigos e vizinhos ricos, mas sobretudo aos pobres e aos doentes, àqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, «àqueles que não têm com que te retribuir» (Lc 14, 14). Não devem subsistir dúvidas nem explicações que debilitem esta mensagem claríssima. Hoje e sempre, «os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho», e a evangelização dirigida gratuitamente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer. Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos!
-- Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos.
-- Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. Não se pode tolerar mais o facto de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. Em consequência desta situação, grandes massas da população vêem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspectivas, num beco sem saída. O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. Assim teve início a cultura do «descartável», que aliás chega a ser promovida. Já não se trata simplesmente do fenómeno de exploração e opressão, mas duma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são «explorados», mas resíduos, «sobras».
-- Hoje, em muitas partes, reclama-se maior segurança. Mas, enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível desarreigar a violência. Acusam-se da violência os pobres e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há-de provocar a explosão. Quando a sociedade – local, nacional ou mundial – abandona na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos, nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade.
-- O individualismo pós-moderno e globalizado favorece um estilo de vida que debilita o desenvolvimento e a estabilidade dos vínculos entre as pessoas e distorce os vínculos familiares. A acção pastoral deve mostrar ainda melhor que a relação com o nosso Pai exige e incentiva uma comunhão que cura, promove e fortalece os vínculos interpessoais. Enquanto no mundo, especialmente nalguns países, se reacendem várias formas de guerras e conflitos, nós, cristãos, insistimos na proposta de reconhecer o outro, de curar as feridas, de construir pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos «a carregar as cargas uns dos outros» (Gal 6, 2).
-- Há certo cristianismo feito de devoções – próprio duma vivência individual e sentimental da fé – que, na realidade, não corresponde a uma autêntica «piedade popular». Alguns promovem estas expressões sem se preocupar com a promoção social e a formação dos fiéis, fazendo-o nalguns casos para obter benefícios económicos ou algum poder sobre os outros.
-- A nossa tristeza e vergonha pelos pecados de alguns membros da Igreja, e pelos próprios, não devem fazer esquecer os inúmeros cristãos que dão a vida por amor: ajudam tantas pessoas seja a curar-se seja a morrer em paz em hospitais precários, acompanham as pessoas que caíram escravas de diversos vícios nos lugares mais pobres da terra, prodigalizam-se na educação de crianças e jovens, cuidam de idosos abandonados por todos, procuram comunicar valores em ambientes hostis, e dedicam-se de muitas outras maneiras que mostram o imenso amor à humanidade inspirado por Deus feito homem. Agradeço o belo exemplo que me dão tantos cristãos que oferecem a sua vida e o seu tempo com alegria.
-- Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma empessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre.
-- O mundanismo espiritual, que se esconde por detrás de aparências de religiosidade e até mesmo de amor à Igreja, é buscar, em vez da glória do Senhor, a glória humana e o bem-estar pessoal.
-- Ser Igreja significa ser povo de Deus, de acordo com o grande projecto de amor do Pai. Isto implica ser o fermento de Deus no meio da humanidade; quer dizer anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de ter respostas que encorajem, dêem esperança e novo vigor para o caminho. A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho.
-- Não podemos pretender que todos os povos dos vários continentes, ao exprimir a fé cristã, imitem as modalidades adoptadas pelos povos europeus num determinado momento da história, porque a fé não se pode confinar dentro dos limites de compreensão e expressão duma cultura. É indiscutível que uma única cultura não esgota o mistério da redenção de Cristo.
-- A homilia não pode ser um espectáculo de divertimento, não corresponde à lógica dos recursos mediáticos, mas deve dar fervor e significado à celebração. É um género peculiar, já que se trata de uma pregação no quadro duma celebração litúrgica; por conseguinte, deve ser breve e evitar que se pareça com uma conferência ou uma lição.
-- Peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efectivamente sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo. A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum. Temos de nos convencer que a caridade «é o princípio não só das micro-relações estabelecidas entre amigos, na família, no pequeno grupo, mas também das macro-relações como relacionamentos sociais, económicos, políticos». Rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos, que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres. É indispensável que os governantes e o poder financeiro levantem o olhar e alarguem as suas perspectivas, procurando que haja trabalho digno, instrução e cuidados sanitários para todos os cidadãos. E porque não acudirem a Deus pedindo-Lhe que inspire os seus planos? Estou convencido de que, a partir duma abertura à transcendência, poder-se-ia formar uma nova mentalidade política e económica que ajudaria a superar a dicotomia absoluta entre a economia e o bem comum social.
-- A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais. Com efeito, um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de a apresentar, de a tornar conhecida, que amor seria?
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