segunda-feira, 28 de maio de 2012

AUDIÊNCIA GERAL

Praça de São Pedro Quarta-feira, 23 de Maio de 2012 Queridos irmãos e irmãs, O Espírito Santo nos ensina a tratar Deus, na oração, com os termos afetuosos de «Abbá, Pai!», como fez Jesus. São Paulo, tanto na carta aos Gálatas como na carta aos Romanos, afirma que é o Espírito que clama em nós «Abbá, Pai!», fazendo-nos sentir numa relação de profunda confiança com Deus, como a de uma criança com seu pai. Hoje muitos não se dão conta da grandeza e da consolação profunda contidas na palavra «Pai», dita por nós a Deus na oração. O Espírito Santo ilumina o nosso espírito, unindo-nos à relação filial de Jesus com o Pai. Realmente, sempre que clamamos «Abbá, Pai!», fazemos isso movidos pelo Espírito, com Cristo e em Cristo, e sempre em união com toda a Igreja. De fato, desde o princípio, Ela assumiu esta invocação, de modo particular na oração do «Pai-Nosso». Quando rezamos ao Pai, nunca estamos sozinhos. É a Igreja que sustém a nossa invocação, porque a nossa invocação é invocação da Igreja.
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 Queridos peregrinos de língua portuguesa: sede bem-vindos! Saúdo de modo particular os brasileiros do Rio de Janeiro, do Rio Grande de Sul, bem como as Irmãs Franciscanas de São José. Com a proximidade da solenidade de Pentecostes, procurai, a exemplo de Nossa Senhora, estar abertos à acção do Espírito Santo na vossa oração, de tal modo que o vosso pensar e agir se conformem sempre mais com os do seu Filho Jesus Cristo. De coração vos abençoo a vós e às vossas famílias 
PAPA BENTO XVI

sábado, 26 de maio de 2012

SOLENIDADE DE PENTECOSTES

SOLENIDADE DE PENTECOSTES
Evangelho de Jo 20, 19-23 - Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, estando trancadas as portas do lugar onde estavam os discípulos, por medo dos judeus, Jesus chegou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos se alegraram ao ver o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio”. Após essas palavras, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados serão perdoados. A quem não perdoardes os pecados não serão perdoados”.
COMENTÁRIO
Hoje festejamos Pentecostes, completam-se cinquenta dias da ressurreição de Jesus. Quase dois meses depois que Jesus se foi, nós encontramos seus discípulos trancados no cenáculo, por medo dos judeus.
Apesar do evangelista João não mencionar neste evangelho, nós sabemos que, conforme Atos dos Apóstolos (2,1-11), no cenáculo também estavam algumas mulheres, inclusive Maria a Mãe de Jesus. Outro fato que deve ser ressaltado, é que eles se encontravam em oração.
João faz questão de dizer que o medo estava presente entre eles. Não sabiam o que poderia lhes acontecer se fossem descobertos pelos judeus. A única certeza que tinham é a de que eles não iriam, de forma nenhuma, assumir publicamente que eram cristãos.
Em meio a esse clima tenso, Jesus chega como quem não quer nada, entra sem fazer alarde, coloca-se no meio deles e diz: "A paz esteja com vocês"! Pronto… mudou a temperatura do ambiente, esfriaram-se as cabeças e aqueceram-se os corações, a alegria é geral. Os discípulos ficaram alegres ao verem o Senhor.
Jesus trouxe consigo o Espírito Santo e o entregou aos apóstolos. O medo e a insegurança foram jogados pela janela. O temor que paralisava suas pernas, simplesmente desapareceu.
Essa é a verdadeira paz. Paz é liberdade, é coragem, é a busca permanente da vida plena. Paz é doação, é a luta por justiça e dignidade. Paz, um nome tão pequeno, mas que guarda dentro de si toda mensagem de Jesus.
Paz é o resumo de tudo. Na palavra paz está contido todo evangelho, por isso Jesus nos deseja a paz. Apesar de não serem sinónimos, é impossível separar a paz do amor. A paz é fruto da justiça. E, o amor é incompleto sem a paz.
Jesus entra, deseja-lhes a paz e faz algumas recomendações. Manda que continuem a sua missão. A mesma missão que o levou à morte. Mas, como enfrentar aquela multidão que eliminou o Mestre? – se perguntavam.
O medo era enorme, mas ao receberem o Espírito Santo, transformam-se totalmente. Abrem as portas, escancaram as janelas, nada temem, nada os assusta. Publicamente falam com destemor e sabedoria.
Assim é a obra do Espírito Santo. Ela faz maravilhas nos seguidores de Jesus. Opera transformações radicais naqueles que se entregam aos seus cuidados. Age em nossa vida e em nosso dia-a-dia. O Espírito Santo se faz presente através dos seus sete dons.
A festa de Pentecostes nos leva a concluir que o Espírito Santo dá vida e dinamismo à comunidade cristã. Sob a acção do Espírito todos falam a mesma língua, os irmãos se entendem e se unem em torno do mesmo Pai. A covardia é substituída pela coragem na pregação do evangelho, a tristeza dá lugar à alegria, e as actividades são alicerçadas no amor e na paz de Jesus.
Coragem, evangelizador, coragem, evangelizadora! Uma coragem, sem limites! É isso que Jesus espera de cada um de seus discípulos. Você é convidado, eu também. Todos nós somos convocados a levar aos povos a Boa Nova de justiça e de paz.
Frei Gilson Frede 
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

O MUNDO À NOSSA VOLTA



Saber comunicar, mesmo através do silêncio


Cláudia Pereira

Comunicar é uma realidade da qual dependemos completamente, seja através de um gesto, um olhar, uma carta, uma mensagem enviada pelo telemóvel, um telefonema, uma mensagem de correio electrónico ou partilhada nas redes sociais... ou através do próprio silêncio. E dependemos da comunicação quer como emissores, para chegarmos àqueles a quem queremos transmitir algo, quer como receptores, sentindo que não estamos sozinhos no mundo.
Se a comunicação tem este papel preponderante no dia-a-dia dos cidadãos, enquanto seres individuais, ela não tem menos importância quando se trata de difundir mensagens através dos meios de comunicação social, como acontece com este site, para chegar, em (muito) pouco tempo a um grande número de pessoas, espalhadas por várias partes do mundo.
Quem trabalha nos meios de comunicação social deve fazer o possível.... e, se preciso, o impossível, para levar ao público um produto informativo que seja o mais fiel possível à verdade, sem valorizar determinados tipos de interesses. O profissionalismo deve prevalecer sempre. É preciso saber comunicar.
Por sua vez, quem está do lado do receptor deve olhar sempre para a mensagem transmitida com sentido crítico e, caso sinta que a isenção está a ser posta de lado, fazer chegar a sua opinião a quem de direito. É preciso ver se se sabe comunicar.
Reconhecendo a importância da comunicação social na sociedade actual, foi instituído pela Igreja o Dia Mundial dos Meios de Comunicação Social, que este ano se assinala a 20 de Maio.
Esta é uma importância que já assumimos como natural, mas que muitas vezes só notamos quando estamos privados de algum meio de comunicação: quando nos esquecemos do telemóvel ficamos logo “atrapalhados” porque precisávamos mesmo de enviar uma mensagem à pessoa “x” ou de telefonar à “y”; quando a ligação à internet falhou não sabemos como entrar em contacto com aquele(a) a quem íamos mesmo mandar um e-mail; quando há uma falha de energia eléctrica já não sabemos o que fazer porque ia mesmo começar um programa televisivo que nunca vimos...
Momentos como esses podem e devem ser aproveitados para reflectirmos na importância da comunicação, mas também no valor que têm os momentos de paragem e o silêncio. É preciso saber comunicar, mesmo através do silêncio.
Neste contexto, merece uma referência especial a Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano, dedicada precisamente ao tema “Silêncio e palavra: caminho de evangelização”.
Diz o Santo Padre que “no silêncio escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena”.
Bento XVI considera que, “quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório”.
O Papa aconselha a “olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem actual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. [...]. Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus”.
Esta Mensagem de Bento XVI deve inquietar-nos e suscitar em nós a vontade de pararmos e percebermos a importância do silêncio, quando desempenhamos o papel de emissor, mas também de receptor.
Se tal acontecer, é porque percebemos que é preciso saber comunicar, mesmo através do silêncio. Façamos de cada momento de silêncio uma forma de sabermos comunicar com os que nos rodeiam, mas também com Ele.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

MENSAGEM URBI ET ORBI DO SANTO PADRE BENTO XVI

Domingo de Páscoa – 8 de Abril de 2012
 Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro! «Surrexit Christus, spes mea – Ressuscitou Cristo, minha esperança» (Sequência Pascal). A todos vós chegue a voz jubilosa da Igreja, com as palavras que um antigo hino coloca nos lábios de Maria Madalena, a primeira que encontrou Jesus ressuscitado na manhã de Páscoa. Ela correu ao encontro dos outros discípulos e, emocionada, anunciou-lhes: «Vi o Senhor!» (Jo 20, 18). Hoje também nós, depois de termos atravessado o deserto da Quaresma e os dias dolorosos da Paixão, damos largas ao brado de vitória: «Ressuscitou! Ressuscitou verdadeiramente!» Todo o cristão revive a experiência de Maria de Magdala. É um encontro que muda a vida: o encontro como um Homem único, que nos faz sentir toda a bondade e a verdade de Deus, que nos liberta do mal, não de modo superficial e passageiro mas liberta-nos radicalmente, cura-nos completamente e restitui-nos a nossa dignidade. Eis o motivo por que Madalena chama Jesus «minha esperança»: porque foi Ele que a fez renascer, que lhe deu um futuro novo, uma vida boa, liberta do mal. «Cristo minha esperança» significa que todo o meu desejo de bem encontra n’Ele uma possibilidade de realização: com Ele, posso esperar que a minha vida se torne boa e seja plena, eterna, porque é o próprio Deus que Se aproximou até ao ponto de entrar na nossa humanidade. Entretanto Maria de Magdala, tal como os outros discípulos, teve de ver Jesus rejeitado pelos chefes do povo, preso, flagelado, condenado à morte e crucificado. Deve ter sido insuportável ver a Bondade em pessoa sujeita à maldade humana, a Verdade escarnecida pela mentira, a Misericórdia injuriada pela vingança. Com a morte de Jesus, parecia falir a esperança de quantos confiavam n’Ele. Mas esta fé nunca desfalece de todo: sobretudo no coração da Virgem Maria, a mãe de Jesus, a pequena chama continuou acesa e viva mesmo na escuridão da noite. A esperança, neste mundo, não pode deixar de contar com a dureza do mal. Não é apenas o muro da morte a criar-lhe dificuldade, mas também e mais ainda as aguilhoadas da inveja e do orgulho, da mentira e da violência. Jesus passou através desta trama mortal, para nos abrir a passagem para o Reino da vida. Houve um momento em que Jesus aparecia derrotado: as trevas invadiram a terra, o silêncio de Deus era total, a esperança parecia reduzida a uma palavra vã. Mas eis que, ao alvorecer do dia depois do sábado, encontram vazio o sepulcro. Depois Jesus manifesta-Se a Madalena, às outras mulheres, aos discípulos. A fé renasce mais viva e mais forte do que nunca, e já invencível porque fundada sobre uma experiência decisiva: «Morte e vida combateram, / mas o Príncipe da vida / reina vivo após a morte». Os sinais da ressurreição atestam a vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio, da misericórdia sobre a vingança: «Vi o túmulo de Cristo, / redivivo e glorioso; / vi os Anjos que o atestam, / e a mortalha com as vestes». Amados irmãos e irmãs! Se Jesus ressuscitou, então – e só então – aconteceu algo de verdadeiramente novo, que muda a condição do homem e do mundo. Então Ele, Jesus, é alguém de quem nos podemos absolutamente fiar, confiando não apenas na sua mensagem mas n’Ele mesmo, porque o Ressuscitado não pertence ao passado, mas está presente e vivo hoje. Cristo é esperança e conforto de modo particular para as comunidades cristãs que mais são provadas com discriminações e perseguições por causa da fé. E, através da sua Igreja, está presente como força de esperança em cada situação humana de sofrimento e de injustiça. Cristo Ressuscitado dê esperança ao Médio Oriente, para que todas as componentes étnicas, culturais e religiosas daquele Região colaborem para o bem comum e o respeito dos direitos humanos. De forma particular cesse, na Síria, o derramamento de sangue e adopte-se, sem demora, o caminho do respeito, do diálogo e da reconciliação, como é vivo desejo também da comunidade internacional. Os numerosos prófugos, originários de lá e necessitados de assistência humanitária, possam encontrar o acolhimento e a solidariedade que mitiguem as suas penosas tribulações. Que a vitória pascal encoraje o povo iraquiano a não poupar esforços para avançar no caminho da estabilidade e do progresso. Na Terra Santa, israelitas e palestinos retomem, com coragem, o processo de paz. Vitorioso sobre o mal e sobre a morte, o Senhor sustente as comunidades cristãs do Continente Africano, conceda-lhes esperança para enfrentarem as dificuldades e torne-as obreiras de paz e artífices do progresso das sociedades a que pertencem. Jesus Ressuscitado conforte as populações atribuladas do Corno de África e favoreça a sua reconciliação; ajude a Região dos Grandes Lagos, o Sudão e o Sudão do Sul, concedendo aos respectivos habitantes a força do perdão. Ao Mali, que atravessa um delicado momento político, Cristo Glorioso conceda paz e estabilidade. À Nigéria, que, nestes últimos tempos, foi palco de sangrentos ataques terroristas, a alegria pascal infunda as energias necessárias para retomar a construção duma sociedade pacífica e respeitadora da liberdade religiosa de todos os seus cidadãos. 
Boa Páscoa para todos!